terça-feira, janeiro 15, 2013

DENISE SEVERGNINI NOS DEIXOU





Faleceu no dia 9 de Janeiro de 2013, aos 53 anos, a poetisa brasileira, e minha querida amiga desde há sete anos,Denise Severgnini, devido a paragem cardio-respiratória, deixando a poesia lusófona mais pobre e centenas de poetas e amigos, chocados e chorosos, desdobrando-se em poemas, mensagens e homenagens á querida amiga das letras.
Professora querida e amada, amiga dedicada, esposa amante, encontrava na poesia e na prosa, a sua forma de expressão preferida, fazendo da escrita a sua forma de comunicar emoções e sentimentos. Escrevia em quase todos os estilos, desde a literatura infantil, diversas formas de poema, até ao erótico, sendo brilhante em todos.
Deixou a sua marca em vários sites da Internet com o perfume da sua poesia e dedicação da sua amizade, com particular destaque para o Recanto das Letras, onde a conheci e onde neste momento em que escrevo, conto com 918.849 leituras e audições das suas poesias, entre textos, e-books e poemas gravados, no total de 11.672 obras. Também no Jornal Raizonline, no Facebook e noutras redes sociais, deixou a sua marca com poemas lindissimos e emotivos, e o aroma da sua amizade.
Vivia no sul do Brasil, no estado do Rio Grande do Sul, em Lomba Grande, perto da cidade de Nova Hamburgo, na companhia do seu marido Márcio, numa casa linda em materiais naturais como a madeira, em ambiente rural, rodeada de um jardim de rosas e outras flores, e na companhia das suas duas gatas de olhos azuis como os dela, por quem era apaixonada.

Biografia de Denise de Souza Severgnini

Denise de Souza Severgnini é bióloga, licenciada em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), especialista em Matemática, Artes Visuais e Educação Ambiental.
É professora do Ensino Fundamental nas disciplinas de Ciências, Matemática, Artes, Ensino Religioso e Inglês. É poetisa e arrisca-se na pintura (óleo sobre tela).
É membro participante de grupos de poesia e literatura em sites da Internet. Tem textos publicados em vários sites, entre eles Recanto das Letras, Jornal Raiz Online, Poetas e Escritores do Amor e da Paz e Poesia Retrô.
É participante de diversos e-books e antologias: Cacos do Luar (1983), Fresta na Janela (1983),Antologia Escritores brasileiros e Autores de Língua Portuguesa (2006),Aquarela (ALVALES, 2008), Tendências Literárias (ALVALES, 2009),ALVALES em Murmúrios (2010) e Caminhos Literários (2010).
É livre pensadora, pacifista, 53 anos, casada com Marcio Prass, natural de Porto Alegre, residindo em Lomba Grande.Novo Hamburgo/RS.
Sites particulares: http://denisesevergnini.recantodsletras.com.br/
*ANIVERSÁRIO: DIA 19 DE MARÇO,DIA DE SÃO JOSÉ

BIOGRAFIA POÉTICA ESCRITA PELA PRÓPRIA DENISE

Nasci menina, sapeca desde pequena
Numa cidade, época serena, Porto Alegre
Numa manhã de março, aos dezenove do mês
Ao meu pai, causei embaraço,ele esperava menino
Enganei o destino, guria e poetisa, eu nasci
Nos pagos do meu Rio Grande, cresci, estudei
Já mocinha, na UFRGS, em Biologia, eu me formei
Hoje, com muito orgulho, professora, eu sou
E desempenho, com amor, a profissão, que Deus
Felizmente, me presenteou
Nas encruzilhadas da vida, encontrei o amor
Na figura de alguém que amigo sempre foi
Meu querido,marido Márcio,companheiro
Para seja lá o que for
Pouco mais tenho a dizer
A paixão dos meus dias é poesias escrever

Denise Severgnini - POENISE**

Lomba Grande/Novo Hamburgo/RS/BR


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** POENISE = POEMAS + DENISE

Poemas

AMOR BONITO

É um querer constante, desenfreado...

Não está à venda, nem em liquidação.
Só o sente quem tem um bom coração!

Tem amor de corpo, que envolve sexo.
Todavia, há um amor mais complexo,
Amor de alma, parecendo sem nexo.

Amor que no peito, terno, palpita!
Amor que reside em criatura aflita
Amor que nasce da palavra escrita!
Amor que em poesia sempre habita!

Há beijos de doces letras entrelaçadas,
Num sem fim de abençoada felicidade...
É impossível esconder qualquer verdade
O poeta confessa, com autêntica alegria:
_ Eu não posso negar que te amo, poesia!

Denise Severgnini

CRIAÇÕES CONJUNTAS MINHAS E DA DENISE SEVERGNINI:


ENTRELACE AMIZADE VIRTUAL

Não sei explicar
SENTIMENTOS NÃO SE EXPLICAM
Os sentimentos que me assolam
APENAS SE VIVEM E MULTIPLICAM
Em relação a um amigo virtual
SÃO DE ESPÍRITO E NÃO CARNAL
Também, não sei se como amizade
AMIZADE É SIM, CONCERTEZA
Pode ser esta relação classificada
PRECISA DE SER CLASSIFICADA?
Certo é que se tem um bem querer
POIS QUE DA ALMA NASCE ENLAÇADA
Independe de presença marcada
POR ISSO NÃO PRECISA DE NADA
Amigos da vida real
PARA SABER QUE ESTÁ LIGADA
Nem sempre estão presentes
PRESENTE, MESMO QUE LONGÍNQUA
Enquanto o virtual
POIS OS ESPÍRITOS SE DESLOCAM
É só conectar
Á VELOCIDADE DO PENSAMENTO
E ele surge de repente
BASTA SINTONIZAR E CLAMAR
Estes amigos são caros
EM PENSAMENTO TE CHAMAR
Pois conhecem nossa alma
E AS ALMAS SE BUSCAM NO FIRMAMENTO
E é possível amá-los
EM AFECTOS ETÉREOS E ESPIRITUAIS
Dão-nos afetos tão raros
TERNOS, SEMPRE PRESENTES MESMO VIRTUAIS!

Denise Severgnini/ARLETE PIEDADE

Dedicado a minha querida amiga Fada das Letras, pois estamos comemorando um ano de amizade virtual./OBRIGADA AMIGA QUERIDA E SEMPRE PRESENTE, MARAVILHOSO TEU PRESENTE!

Quero sempre mais


Quero sempre mais que a luz do sol
Quero calor mais humano de um abraço
O perdão guiando como a luz do farol
A verdade sempre dita como real traço

Quero nuvens de alegria ao pôr- do- sol
Quero mais trabalho sem muito cansaço
Quero sempre mais que a luz do sol
Quero calor mais humano de um abraço

Quero sempre mais peixes em meu anzol
Quero gente feliz por todo sideral espaço
A certeza de muita paixão sobre o lençol
E amizade atando todos num forte laço
Quero sempre mais que a luz do sol


Denise de Souza Severgnini


A luz do sol me ilumina

A luz do sol me aquece e me ilumina
a amizade que vem do sideral espaço
e a ternura da tua poesia de menina
então já me chega o carinhoso laço!

Com afecto me sustento e assim faço,
a poesia que me habita de pequenina,
a amizade que vem do sideral espaço,
a luz do sol me aquece e me ilumina!

Assim me nutro de poemas que traço,
e amor que nas estrelas determina,
destino que no coração, entrelaço
e sonhos que fértil mente, imagina!
A luz do sol me aquece e me ilumina!

Arlete Piedade

MAIS UM ENTRELACE
Amor Exilado
AMOR GUARDADO

Um sentimento expatriado
UM DOCE AFECTO GUARDADO
Em um coração sofredor
EM UM CORAÇÃO SONHADOR
Traduz-se como um soldado refugiado
É PARA A ETERNIDADE AMADO
De um exército perdedor.
EM ETERNA CHAMA DE AMOR
Meus sentimentos aparentes
SENTIMENTOS QUE NÃO CONSENTES
Não condizem com a verdade.
PORQUE TÊM SABOR DE SAUDADE
Falo apenas de sementes,
HÁ MUITO QUE JÁ OS SENTES
Sem ter da terra, a qualidade.
DERAM COMO FRUTO, FELICIDADE
Esse grande amor exilado
ESSE GRANDE AMOR GUARDADO
Habita em meu peito ardente,
MORA EM TEU CORAÇÃO CARENTE
Tão sofrido, o coitado...
SOFRE MAS SABE QUE É AMADO
Mal apercebe-se do que sente.
TENTA ESQUECER E IR EM FRENTE
Tanto amor transforma-se em sofrimento:
AMOR VERDADEIRO DOCE SENTIMENTO
Quando o ente amado não nos quer,
O SER AMADO TEM QUE COMPREENDER
Solução viável leva ao esquecimento.
QUANDO A RAZÃO VENCE, É TORMENTO
Mas quão difícil é esquecer!
QUANTAS LÁGRIMAS PARA ESQUECER!

Denise Servergnini/ARLETE PIEDADE

entrelace - Temporal de Quimeras/BRISA DE SONHOS

Tal furacão de escuridão, incontrolado e insano,
TAL BRISA LEVE DA MANHÃ, VAPOROSA
Que tudo arrasta em louca e demente cavalgada,
QUE A TUDO TRANSFORMA EM CALMARIA
Atordoante e ruinosa na terra agora escalavrada,
REFRESCANTE, AGORA, NO JARDIM DA ROSA
Assim fui eu na minha navegação a todo o pano...
ASSIM FUI EU NA MINHA VIAGEM DE MAGIA

Velas de quimera, desfraldadas ao mar, sol e vento,
PALAVRA- VENTO VINHA E COM PRAZER SORRIA
Para longe tal marinheiro quinhentista, o mar arrostei,
NAQUELA MANHÃ SUAVE, ONDE A POESIA FORMOSA
Tão longa a viagem, tanta coragem, e perigos enfrentei,
TECIA TEIAS DE PRAZER, SONHO E IMENS’ ALEGRIA
Mas tempestades me fizeram naufragar no mar cinzento.
CONJUGANDO O VERSO DA ILUSÃO TEMPOROSA

Turbilhões de água salgada, fundos abismos oceânicos...
TURBILHÕES DE AMOR, GOTAS DE LEVEZA PURA ...
Monstros marinhos povoam pesadelos na madrugada...
FADAS COLORIDAS POVOAVAM SONOS NA MADRUGADA
Tento não sobraçar nos medonhos turbilhões titânicos..
TENTEI SEGURAR A ONDA DOCE DE TERNURA...
Tento não esquecer que um dia fui de alguém a amada...
DEIXEI-A IR, RAPIDAMENTE, À PESSOA MUI AMADA

Caudais de lágrimas caem de meus olhos outrora risonhos,
LÁGRIMAS DE FELICIDADE CAIRAM DOS MEUS OLHOS
E agora só pesadelos de abandono povoam meu sonhos...
A BRISA FRESCA TRANSPORTOU-ME AO AMOR
Como não sobraçar de vez nas longas torrentes de espuma,
OS VERSOS LIVRES QUE COMPUS EM SONHOS
Como não abandonar as ilusões dementes, uma a uma....
FORAM PRESENTES DO TEMPO,MESTRE E SENHOR

Arlete Piedade(Fada das Letras)/DENISE SEVERGNINI

Poema de Denise Severgnini a mim dedicado

FADA DAS LETRAS

Uns amam demais
Outros sofrem demais
Outros choram demais
Outros pensam demais

Amando ou sofrendo
Chorando ou pensando
A poetisa vive como
Fada das letras

Vai cativando-nos
Enredando-nos
Em sua teia de palavras
Impressões de sua alma sensível

São profusões de poemas...
Versos de amor ou de dor.
De paixão, de ternura...
De cândida loucura...
É extasiante o prazer
De poder sentir
As emoções transmutadas em poesias
Da fada das letras

Denise Severgnini

Foi muito bom poder poetar contigo querida Dê...até ao nosso reencontro final....beijos em tua alma dedicada e coração amoroso...

Arlete Piedade a Fada das Letras


terça-feira, janeiro 08, 2013

3ª COLETANEA POÉTICA DO GUARÁ - MINHA PARTICIPAÇÃO















Participei da 3ª Coletânea Poética do Guará, com o seguinte poema:

Bombeiros

Será só da natureza ardente pelo calor extremo do verão
ou também do descuido do homem com a mata e floresta?
Então porque se encontram vestígios criminosos pelo chão
e onde o incêndio lavra, árvores ardem, casas e nada resta?

Como podem culpar esses heróis abnegados, os bombeiros,
quando no Inverno, lhe retiram subsídios e negam material !?
Se ao surgir o fogo imparável e aterrorizador, são os primeiros
sem dormir e comer , incansáveis enfrentam o calor infernal?

Tudo esquecem, a família, os filhos, os sonhos e até a sua vida
ao assumirem um compromisso sagrado, uma divina missão
de ajudarem a humanidade a derrubar esse terrível inimigo...

no afã de chegaram ao seu destino, e iniciaram a sacra lida
acidentes ocorrem, bens e heróis despedaçados pelo chão
ou cercados pelo fogo, carbonizados, desprezando o perigo...

Arlete Piedade

Ver abaixo texto sobre a organização e importância, da
3 ª COLETÂNEA POÉTICA DO GUARÁ
INDICAÇÃO DO ORGANIZADOR
Conforme as manifestações do público presente no Sarau Poético do Guará, realizado em 17 de maio de 2012, no Teatro do Guará – Brasília (DF), foi o Sr. Adilson Rodrigues Cordeiro indicado para conduzir os trabalhos de Organização da 3ª Coletânea Poética do Guará, com previsão de lançamento para outubro/2012. O processo de indicação foi organizado pelo Sr. RAFAEL SOUSA, Gerente de Cultura e Educação da Administração Regional do Guará. Finalizada a indicação, o Sr. Adilson agradeceu a todos pela confiança depositada para organização de mais um Projeto Cultural promovido pela Casa da Cultura do Guará. Frisou que a Literatura é necessidade de comunicação e um dos pilares de sustentação da cultura de um povo. Sem ela, essa nação pode perder sua identidade cultural, regredir e até desaparecer. Sustentar a Literatura viva e atuante é obrigação da política cultural de qualquer governo ou instituição pública de fomento a cultura e de todo cidadão.
REGULAMENTO (Tema: MEIO AMBIENTE)
I – PROMOÇÃO E REALIZAÇÃOArt. 1º – A 3ª Edição da Coletânea Poética do Guará (2012) é uma iniciativa cultural da Gerência de Cultura e Administração Regional do Guará – Brasília (DF).II – OBJETIVOSArt. 2º - a) Incentivar a produção literária, revelar novos talentos no cenário da poesia brasileira e ampliar o espaço institucional da Administração Regional do Guará na área cultural.b) A edição será de 1.000 (hum mil) exemplares patrocinadas pelo GDF e/ou empresas da iniciativa privada. c) A distribuição será gratuita, com remessa obrigatória às bibliotecas públicas do Distrito Federal. III – PARTICIPAÇÃOArt. 3º- Poderão concorrer:• Brasileiros maiores de 18 anos, residentes no território nacional;• Escritores estrangeiros com notória participação literária. Art. 4º- Cada participante poderá inscrever apenas 01 (uma) poesia inédita e não publicada.IV – NATUREZA E DO TEMAArt. 5º – O tema será dedicado ao MEIO AMBIENTE, cujas poesias deverão conter no máximo 28 (vinte e oito) linhas.Art. 6º – As poesias devem ainda conter elementos que promovam o bem-estar e os valores morais
Ver texto completo sobre a Coletânea. aqui:
http://www.guararte.org.br/guararte/?p=623

sexta-feira, janeiro 04, 2013

TRADIÇÕES DO DIA DE REIS - FOLIA DE REIS NO BRASIL




Folia de Reis

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, levavam com eles várias tradições, entre as quais, o costume de Cantar as Janeiras. Esta e outras tradições, foram rápidamente adaptadas pelos povos locais, em especial nos estados do interior do Brasil. Com a sua rica e multifacetada cultura, resultante da mistura de povos de diferentes origens, nasceu uma nova tradição: A Folia de Reis

A Folia de Reis é uma festa religiosa de origem portuguesa, que chegou ao Brasil no século XVIII. Em Portugal, em meados do século XVII, tinha a principal finalidade de divertir o povo, enquanto no Brasil passou a ter um caráter mais religioso do que de diversão.

No período de 24 de dezembro, véspera de Natal, a 6 de janeiro, Dia de Reis, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre a cidade entoando versos relativos à visita dos reis magos ao Menino Jesus. Passam de porta em porta em busca de oferendas, que podem variar de um prato de comida a uma simples chávena de café. A Folia de Reis, herdada dos colonizadores portugueses e desenvolvida no Brasil, com características próprias, é manifestação de rara beleza.
Os preciosos versos são preservados de geração em geração por tradição oral.

http://www.youtube.com/watch?v=SCxCh9o46J8&feature=related


Ver neste endereço do Youtube, grupo da Folia de Reis atuando

Os instrumentos utilizados são: viola, violão, sanfona, reco-reco, chocalho, cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros instrumentos.
Os personagens somam doze pessoas, todos os integrantes do grupo, trajam roupas bastante coloridas.sendo eles: mestre,contra-mestre, 3 Reis Magos,palhaço,foliões

1. O Mestre e Contra-mestre: dono de conhecimentos sobre a manifestação, é quem comanda os foliões.

2. O Palhaço: com seu jeito cínico e dissimulado, deve proteger o Menino Jesus, confundindo os soldados de Herodes. O seu jeito alegre e suas vestimentas coloridas são responsáveis pela distração e divertimento de quem assiste à performance.Representando o mal,usa geralmente máscara confeccionada com pele de animal e vai sempre afastado um pouco da formação normal da Folia, nunca adiantando-se à "bandeira". Apesar de seu simbolismo é personagem alegre que dança e improvisa versos, criando momentos de grande descontração.

3. Os Foliões: Composta de homens simples, geralmente de origem rural, são os participantes da festa, dão exemplo grandioso através de sua cantoria de fé.

4. Reis Magos: São 3 Reis Magos,fazem viagem de esperança, certos de encontrarem sua estrela. .

A Festa: Até há pouco, podia-se ouvir ao longe ou, com sorte, encontrar, vindo de bairro distante,um grupo especial de músicos e cantadores trajando fardamento colorido, entoando versos que anunciam o nascimento do menino Jesus e homenageiam os Reis Magos. Trata-se, naturalmente, da Folia de Reis que no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, dia de Reis, peregrina por ruas à procura de acolhida ou em direção a algum presépio.

Com sanfona, reco-reco, caixa, pandeiro, chocalho, violão e outros instrumentos seguem os foliões pela noite adentro em longas caminhadas, levam a "bandeira" ( estandarte de madeira ornado com motivos religiosos ) a qual tributam especial respeito. Vão liderados por mestre e contra-mestre, figuras de relevância dentro da Folia por conhecerem os versos - São os puxadores do canto.

Exemplo de canto:

"Era meia noite em ponto
Bateu asa e cantou o galo
Bateu asa e cantou o galo..."
"Que Jesus dê vida e saúde
Só voltamos para o ano
Só voltamos para o ano..."

Os foliões cumprem promessa de por sete anos consecutivos saírem com a Folia e arrecadam em suas andanças donativos para realizarem anualmente no dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, festa com cantorias e ladainhas.

Durante a caminhada é carregada a "bandeira" do grupo, um estandarte de madeira enfeitado com motivos religiosos. O ponto alto da festa se dá quando dois grupos se encontram. Juntos, eles caminham em direção ao presépio da festa, o ponto final da caminhada.

Exemplo de música:
Ó di casa, ó di fora
Qui hora tão excelente
É o glorioso santo Reis
Que é vem do oriente

Ó de casa, ó de casa
Alegra esse moradô
Que o glorioso santo Reis
Na sua porta chegô

Aqui está santo Reis
Meia-noite foras dóra
Procurou vossa morada
Pedino sua ismola

Santo Reis e Nossa Senhora
Foi passeá em Belém
São José pediu esmola
Santo Reis pede também

A esmola que vóis dá
Nois viemo arrecebê
O glorioso santo Reis
É quem vai agradecê

Santo Reis pede esmola
Não é ouro nem dinhêro
Ele pede um agitoru
Um alimento pros festero

Sôr dono da casa
Vem abri as portaria
Recebê santo Reis
Com sua nobre folias

Sôr dono da casa
Alevanta e cende a luz
Vem a ver santo Reis
O retrato de Jesus

Deus o sarve a luz do dia
Deus o sarve a claridade
Deus o sarve as três pessoa
Da Santíssima Trindade

Deus o sarve as três pessoa
Com a sua santidade
É três pessoa divina
Aonde nasce a divindade

O sinal da Santa Cruz
É principo de oração
É o principo desse canto
Desta rica invocação

Deus te sarve oratóro
É coluna que Deus fez
Hoje tá visitado
Do glorioso santo Reis

Deus te sarve oratóro
Cum todo seus ornamento
Deus te sarve as estampinha
E as image qu’estão dentro

Deus te sarve as image
As pequena e as maió
Numa rica divindade
Sincerra em uma só

Sôr dono da casa
Alegra seu coração
Arreceba santo Reis
Com todo o seu folião

Santo Reis desceu do céu
Cortano vento nas asa
Vei pedi um agasaio
Para o dono desta casa

Santo Reis e vem girano
Cançadim do trabaio
Procurô vossa morada
Pra pedi um agasaio

Santo Reis veio voano
Nos are fez um remanso
Procurô sua morada
Pra fazê o seu descanso

Sôr dono da casa
Muito alegre deve está
Do glorioso santo Reis
Hoje vei lhe avisitá

Concluímo este canto
Fazeno o siná da cruz
Pade, Fio, Esprito Santo
Para sempre, amém Jesus

Santos Reis vai despedindo
Deixando muita saudade.
Vai deixando muita benção
Pro povo desta cidade

Como se pode ver, o princípio da Festa é o mesmo, cantar em grupo, visitar as pessoas nas suas casas, para desejar um bom ano e dar a noticia do nascimento de Jesus, esperando em troca, que lhe ofereçam comida ou dinheiro.

Seguem-se três depoimentos sobre as recordações de infância, da Folia de Reis, de dois amigos e uma amiga, naturais do interior do estado de S. Paulo, Bahia e Minas Gerais:

Folia de Reis!
Autor: ACAS - António Carlos Affonso dos Santos

"Lembro-me menino, na fazenda de café, onde nasci e vivi até os treze anos de idade.
Como era esperada a visita da folia de reis!!!!
Na região onde eu vivia tinha duas "Companhias de Reis"; uma que cantava versos mineiros e a outra, versos baianos.
Logicamente a tradição paulista manifestava-se nas duas correntes mais significativas da Folia de Reis.
Normalmente era um grupo, dirigido pelo "mestre". Eles visitavam cada casa da fazenda, entre as oito horas da noite e a função ia até as onze da noite. No dia seguinte retomavam a casa seguinte. Era formada por três "puxadores de versos" e acompanhantes que faziam solos de viola, violão, percussão e coral; cantando os estribilhos.: era o "palhaço". O palhaço era alter ego do Judas Iscariotes; aquele que traiu Jesus! Não raro, a "Companhia de Reis" tinha um palhaço principal e mais alguns aprendizes; poderiam chegar até quatro ou cinco. a razão era que a função de palhaço era uma espécie de promessa que o pretendente fazia, normalmente pedindo perdão de alguma falta, ou pecado que cometera na vida. E a função de palhaço não poderia exceder mais que sete anos ininterruptos. Portanto, a partir do quinto ano, ele tinha que convencer outra pessoa a fazer a promessa e acompanhar a "Companhia" durante dois anos; para aprender.
Quando a cantoria de dentro da casa terminava, os percussionistas rodeavam o palhaço e repicavam os tambores, pandeiros, zabumbas e tãs-tãs, em ritmo alucinado, o palhaço tinha que dançar e só parava quando o dono da casa se fizesse de satisfeito, jogando ao chão, defronte ao palhaço, algumas moedas ou notas de dinheiro: quanto maior o valor, mais se dizia que o dono da casa estava satisfeito. Alguns, por não estarem satisfeitos com a performance da dança, "judiavam" do palhaço; jogando ao invés de moeda, alguns dentes de alho. Nesse caso, o palhaço tinha que recolher os dentes de alho com a boca (sem o auxílio das mãos) e tinha ainda que engolir os dentes de alho. Caso ele fizesse tudo muito rápido, geralmente o prêmio em dinheiro era de boa monta!
Já os "puxadores da folia de reis, começavam o canto homenageando os três reis magos, em primeiro lugar, depois o menino Jesus e por último, o dono da casa e , em alguns casos, homenageavam cada um dos familiares do dono da casa. era tudo feito em versos de sextilha, simples, direto.
Lembro-me de alguns versos e trovas:
Vinte e quatro de dezembro, ai
Campo verde floresceu, ai, ai,
Campo verde floresceu, ai, ai(*)
Vinte e cinco de dezembro, ai
Menino Jesus nasceu, ai ,ai,
Menino Jesus nasceu, ai, ai (*)

(*): observar q no terceiro verso de cada grupo de três versos, os acompanhantes da folia de Reis, elevavam a nota do último “ai” e o faziam com duração maior.

Alguns donos de casa que eram conhecedores profundos da arte da Folia de Reis, ao constatarem que o “puxador” era fraco (mau poeta); faziam uma pequena maldade: Como o dono da casa tinha que ficar segurando a “bandeira de reis” na frente da companhia e de seus familiares, eles de modo exagerado e às vistas do puxador, amarrava uma nota de dinheiro graúdo em uma das fitas que enfeitavam a bandeira de reis. Quando se desse por satisfeito, desamarrava a nota e a mergulhava na cavidade da viola ou violão do puxador, dando por fim à apresentação. (muitos eram também os intrusos, pois normalmente ao final, eram servidos bolos, sanduíches, e bebidas sem álcool, tais como café, chocolate, chá de cravo, chá de hortelã, café de amendoim e etc. então eles iam para comer e beber às custas do dono da casa visitada). Outra coisa, muitas eram as moças que arranjavam namorados nessas ocasiões, pois como os pais delas estavam ocupados com a cantoria, as visitas e a arrecadação de dinheiro para a festa dos reis, elas ficavam um pouco mais à vontade e os rapazes se aproveitavam desses momentos para “paquerar” ou conquistar tais moçoilas.Enquanto a companhia se deslocava de uma casa à outra (tanto poderiam ser algumas centenas de metros, como até alguns quilômetros), os namorados se conheciam melhor. Na maioria dos casos, acabavam por se casar.

Lembro mais um verso:

O rapaz que segura a bandeira, ai,
É um rapaz muito honrado, ai, ai,
É um rapaz muito honrado, ai, ai,
Ele está feliz e contente, ai,
Com os três reis do oriente, ai, ai,
Com os três reis do oriente, ai, ai,

Isso também é folclore,
Feliz dia de Reis a todos os lusófonos."
ACAS


Folia de Reis em Minas Gerais (Depoimento)

"Quanto o dia de Reis, é a coisa mais linda lá em Minas Gerais, Pelo menos, na minha terra é tradição todos os anos em algumas roças de lá... São pessoas de vários bairros que se ajuntam com alguns agricultores humildes e, montam um bloco tipo com o titulo "Congado De Reis" Dai, então, eles se unem com vestes coloridas e, instrumentos musicais fazem aquela algazarras de folia de Reis... É divino, eles vão invadindo as casas com o congado musical e, os donos da casa dá um lanchinho e ao despedir um alimento qualquer, e assim se passam o dia inteiro, após as 18 hrs, todos se unem e vão para o centro da cidade novamente para encerrar o dia de Reis com uma missa na igreja.... Nossa, que saudades de tudo isto, eu aqui na cidade do Rio de Janeiro, estou praticamente longe deste folclore da minha terra... Mas, é DIVINO, já participei muito também quando criança....... Beijo imenso n'alma e coração!

Giovânia Rocha"

Folia de Reis na Bahia (Depoimento)

"Na verdade quando estava na Bahia ouvia a cantoria dos reis magos e sai um na frente que chega na porta e começa a cantar e os outros fazem o coro com flauta, pandeiros, azabumba é bonito! - Então o dono da casa abre a porta e deixa eles entrarem e servem licor de genipapo e arroz-doce e outras iguarias. Quando não se preparou nada de comida tipica , dá-se dinheiro.

Eu, quando criança ficava em casa na cama ouvindo, pois minha mãe nos colocava na cama bem cedo e essa cantoria começava bem tarde lá pelas 21;00 pm e amanhecia. Iam de casa em casa, porem algo que percebi é que eles cantavam aos reis magos, a outros deuses e santos mas quando chegava á meia noite minha mãe se ajoelhava na cama e eu não entendia porquê mas é que eles cantavam para Deus do céu, assim: - Senhor Deus, pequei Senhor tem misericordia de mim.

E quando chegavam na frente da casa de alguem começavam cantando assim: Ô de casa, ô de fora, ô de casa ô de fora, Maria vai ver quem é, Maria vai ver quem é. Sou o cantador de Reis, sou o cantador de Reis, quem mandou foi S.José, quem mandou foi S. José. Aí a pessoa abria a porta. Era muito emocionante. Depois não ouvi mais porque mudei-me e no Rio não tem isso. É festa de interior que guardo na lembrança de criança. Telma Ellos"

Este trabalho de recolha e composição, bem como o anteriormente publicado, referente á tradição de Cantar as Janeiras em Portugal, foram originalmente publicados no Jornal Raizonline e foram também emitidos num programa da Radio Raizonline, que podem ser ainda vistos em parte em:

http://www.raizonline.net/centoedois/dezasseis.htm

Desejo a todos os amigos e leitores, um Santo Dia de Reis!

Arlete Piedade

TRADIÇÕES DO DIA DE REIS - CANTAR AS JANEIRAS

Tradições do Dia de Reis em Portugal

Cantar as Janeiras


Antigamente era hábito as pessoas cantarem as Janeiras de porta em porta. Em bonitos versos alusivos à quadra, os grupos de janeireiros percorriam as vilas e as aldeias entoando cânticos de cariz popular e religioso. Em troca, o dono da casa abria a porta com extrema generosidade e oferecia produtos caseiros que eram partilhados por todo o grupo, que também, podiam ser as sobras da festa de natal. Hoje é mais uma tradição que se tenta preservar, através de grupos de folclore, associações recreativas, escolas e igrejas.

A origem desta tradição baseia-se em costumes pagãos, como muitas outras tradições cristãs. Entre os deuses da mitologia dos Romanos, contava-se Janus, que significa deus das portas, das passagens, que as fechava e abria no regresso. É do seu nome que deriva o denominação do primeiro mês do ano, Janeiro. Daí então a tradição de cantar as Janeiras, ou seja desejar Boas Entradas, Bom Ano, como os romanos faziam ao iniciarem mais um ano saudando-se em nome de Janus, o porteiro celestial.
Sobretudo nas aldeias do Norte de Portugal, pequenos grupos de crianças começam logo a seguir ao Natal a cantar as Janeiras, continuando a fazê-lo até ao dia de Reis. Misturam letras e músicas, mais ou menos antigas, com canções veiculadas pela televisão. Todavia estas cantigas têm ainda um cunho de originalidade e lembram as Janeiras de tempos passados que, à semelhança de outros acontecimentos do calendário, litúrgico ou não, eram esperados ansiosamente e cujas celebrações ajudavam a quebrar a rotina.

http://www.youtube.com/watch?v=3j8JnmpDM4Y&feature=related

Ver neste endereço no Youtube grupo cantando as Janeiras

Juntavam-se os vizinhos, rapazes por um lado, raparigas por outro (estas quando os pais o permitiam) e ensaiavam as Janeiras, cantigas ao Deus Menino, mas para pedirem as boas-festas. De preferência, escolhiam as casas mais abastadas e próximas; e não podia haver demoras que as noites além de curtas eram frias. Seria, apenas, necessário acertar junto de cada casa a visitar quais as quadras que aí se cantariam, isto em função dos moradores das mesmas, que em terra pequena todos se conheciam. Se houvesse visitas, bom seria que se soubesse, para evitar omissões e cativar ainda mais a família visitada. A maior responsabilidade cabia àquele ou aquela que iria "versar", que para tal deveria possuir uma boa voz e uma boa dose de coragem para cantar a solo, alternando com o coro que cantaria o refrão. E era precisamente pelo refrão que o grupo se fazia anunciar, cantando em uníssono:

São João s’ alevantou
uma vela se acendeu
adorar o Deus Menino
q’a meia-noite nasceu

Após ter sido dado o sinal de presença, cantava-se uma primeira quadra, dedicada à família em geral, e os primeiros elogios começavam a fazer-se ouvir.

Ainda agora aqui cheguei
Já pus o pé na escada
Logo o meu coração disse
Que aqui mora gente honrada.

Nós não vimos pelas Janeiras
Nós Janeiras cá trazemos
Vimos pelas obrigações
Que a esta casa devemos.

E passava-se a saudações individualizadas, respeitando-se a hierarquia da família, pelo que em sociedade patriarcal, o lugar de honra era para o pai.

De quem é aquele chapéu
Que além tá dependurado
É do dono desta casa
Que é bonito como um cravo.

Viva lá senhor Manuel
Usa o seu chapéu direito
Quando vai pela rua fora
Todos lhe guardam respeito.

A saudação seguinte pertencia à dona da casa, elogiando-se-lhe a beleza ou até a bondade.

Viva lá minha senhora
Raminho de salsa crua
Quando chega à janela
Põe-se o sol e nasce a lua.

Viva lá senhora Maria
Raminho de palma branca
Ainda anda neste mundo
Já no céu é uma santa.

Sucediam-se, depois, as dedicatórias aos filhos e filhas, e a outras pessoas, com indicação, se possível, dos nomes, como por exemplo:

De quem é aquele anel d'oiro
Com pedrinhas ao redol
É do menino João
Que é bonito como o sol.

Viva lá menina Rita
Suas faces são romã
Seus olhos são mais galantes
Do que a estrela da manhã.

Era então chegada a hora de se fazer uma alusão directa à tão esperada compensação. E o alvo, uma vez mais, era a dona da casa, detentora da chave da despensa.

Levante-se minha senhora
Desse banco de cortiça
Venha-nos dar as janeiras
Ou morcela ou chouriça.

Levante-se lá senhora
Desse banquinho de prata
Venha-nos dar as janeiras
Que está um frio que mata.

E, ao ouvirem passos, cantavam sem mais demora:

Alegrai-vos companheiros
Que eu já sinto gente a andar
É a senhora desta casa
Que nos vem a convidar.

Como a dona da casa correspondesse, agradeciam, desde logo, a cantar:

Ó que estrela tão brilhante
Que vem dos lados do norte
À família desta casa
Deus lhe dê a melhor sorte.

Caso tal não acontecesse, seguiam-se os apupos.

Trinca martelo
Torna a trincar
Barbas de chibo
Não tem que nos dar.

No fim da caminhada distribuia-se entre todos o que se fora recebendo, normalmente castanhas, nozes, maçãs e, para os rapazes mais graúdos, caso a sorte os favorecesse, chouriça, morcela ou dinheiro. Ou optava-se por ir guardando o que se recebia em cada uma das noites, fazendo-se festa rija no final da época.

Segue-se então as Janeiras cantadas em quadras compostas por amigos poetas, que corresponderam ao convite que lhe enderecei pelos Reis em 2011, assim:

Vamos cantar as Janeiras!

Vamos cantar as Janeiras sem errar
pedir paciência para apertar o cinto
com a crise em todo o lado a agravar
dêem lá umas chouriças e um tinto!

Arlete Piedade

Gosto de cantar, na viola tocar
Afinando as Janeiras no recinto
Amedrontar os que andam a sacar
E pôr termo ao aperto do cinto

Pinhal Dias

Cantemos as Janeiras sofridas
Calculadas no apertar do cinto
Repelir as promessas atrevidas
Nos políticos já não me finto.

São Tomé

E se as chouriças e um tinto te animar
A esquecer as maldades do poder
Que estas Janeiras te dêm pra enfardar
E o cinto alargares, pra mais caber!

Eugénio de Sá

Janeiro é o mês dos gatos
De festas e borracheiras
Enchem-se copos e pratos
E há quem cante as Janeiras

Ah Janeiro d'outros tempos
Pintado de cores festeiras
Sabem lá quantos lamentos
Se esqueciam, c'o as Janeiras!

Tu vê lá se tens maneiras
E se és mais respeitador
Lá por cantares as Janeiras
Não penses que és meu amor

Que eu não dou o meu amor
A quem tem tantas peneiras
Vem daí, ó meu tenor
Vamos cantar as Janeiras

Eugénio de Sá

Venham cantar que quem canta
Venham cantar as Janeiras!
Quem tiver boa garganta
Ofereço duas cacholeiras.

Aires Plácido

Vamos cantar as Janeiras
Mesmo enfrentando o "grise"
Seremos as pioneiras
A derrubar esta crise.

Com calma e muito tino
Controlando as ambições
Vamos cantar as Janeiras
Para aquecer os corações

Se não nos puderem dar
As chouriças do costume
Pedimos só para entrar
E nos aquecer ao lume

Não pensaremos no mau
Em amena cavaqueira
Tragam de lá mais um pau
Para arder nesta fogueira

Vamos cantar as Janeiras
Depois de bem aquecidos
Com um copinho de tinto
Já estamos agradecidos

Manuela Baptista

A carestia a chegar pra todo o ano
Até o açúcar nos está a faltar
Como poderemos vencer este dano
Se o patrãozinho não nos ajudar?

Maria da Fonseca

Senhor de tão bela casa,
as Janeiras vimos cantar
se tiver chouriço na brasa,
talvez nos queira ofertar.

Seja ele branco ou tinto
qualquer um iremos aceitar
Esqueça-se lá do cinto
que não o queremos apertar.

Nós agradecemos o chouriço
mais o branco e o tinto,
obrigado senhor, esqueça isso
de ter de apertar o cinto.

Francis Ferreira

Em coro vamos cantando
No borralho aquecidos,
As Janeiras vão girando
E nós andamos perdidos.

Vai um trago p’ra aquecer
Da vida pobre e dorida
Cantando para esquecer
As tristezas desta vida.

Manuela Silva Neves

Vamos cantar as Janeiras
Pelas portas da saudade
Onde as miúdas lampeiras
Vinham ver-nos com vontade

Vamos dizer "estamos vivos
Não perdemos o costume
Vão assar uns dois chouriços
Nós acendemos o lume

Tragam lá umas filhoses
A garrafa da aguardente
E mais o prato das nozes
Prá noite ficar mais quente

Tragam pão e tragam passas
Tragam vinho tinto ou branco
Vamos esquecer desgraças
Estamos fartos, isso é franco"

Vamos cantar as janeiras
Queremos festas, arraiais!
Venham as moças solteiras
Não acordem vossos pais!

Joaquim Sustelo

Ainda agora o novo Ano começou
Já andamos todos amedrontados
O aumento do IVA não perdoou
Os cintos cada vez mais apertados.

Vamos lá cantar ao MENINO
A pedir força e protecção
Destes políticos bonzinhos
Que manteêm a sua tradição.

Vamos cantar as Janeiras
Como manda a tradição
Não nos aquecemos em lareiras
Porque essas também já lá vão

Vamos cantar as janeiras
E bater de porta em porta
Para um Bom Ano desejar
Quem sabe se um tintinho
Não me deixa na crise pensar.

Mas eu p`lo sim p`lo não
Vou levar meu taleguinho
Mesmo que venha vazio.
Cumpri a minha Tradição.

Leo Marques

Venho cantar as janeiras
Assim manda a tradição
Canto com boas maneiras
É da minha condição

Esta noite, noite escura
Está a terra orvalhada
Bato á porta da fartura
Porque já não tenho nada

Sobem preços sem parar
O imposto e a gasolina
E sobe mais um lugar
O ministro que domina

Aos senhores da casa grande
Onde brilham os cristais
Peço que esta crise abrande
Porque já não posso mais

Também peço um par de botas
E camisolas de malha
Porque as minhas já estão rotas
E em casa ninguém trabalha

Nesta noite de janeiras
Peço vinho e peço broa
Peço também as alheiras
Pra não vir aqui á toa

A noite está gelada
Senhores da moradia
Canto á beira da estrada
Com a carteira vazia.

Já que venho aqui cantar
Nesta noite de louvor
Quero somente lembrar
Trabalho não é favor.

Desça dessa escadaria
Por favor, vossa excelência
Pois com esta carestia
já perdi a paciência

Estou cansada de esperar
Por quanto tenho direito
Se a janeira demorar
Farei o que não foi feito

Nesta noite, noite santa
Senhores de guarda e escolta
Vou desprender da garganta
O meu grito de revolta

Odete Nazário

Ó crise que és a palavra
Mais dita do dicionário
Tu rasgas na vida a lavra,
Dum virtual, imaginário,

Nuns a crise é virtual
E caminha sobre rodas
Para outros, é mais real…
E pagam as favas todas.

Chegam as presidenciais
Com campanha antes do tempo,
Temos candidatos… a mais!
Todos querem….seu momento,

E seu momento no poleiro
Que mais fazem afinal???
Contam reformas por inteiro
E pouco servem Portugal.

Lídia Frade

Na casa que é Portugal, altaneira em voz de fado
vimos cantar as Janeiras num País atrapalhado
Que os Reis Magos nos valham e a água dos camelos
Pois a crise aperta tanto, que aos chouriços, nem vê-los!

Que família generosa neste palácio encantado!
Passa-nos a mão no bolso, à reforma e ordenado
Se não nos pomos a pau, com um porrete na mão,
Os senhores da casa alta, não dão chouriço nem pão.

E os pastores que se cuidem, a caminho de Bebém
que levem roupa ao Menino, que inda nem roupa tem
Pois com tanto candidato a fingir-se presidente:
Dão 2000 anos de tanga dum governo mendicante

Mavilde Lobo Costa

Sou lisboeta de gema
Não sei cantar as janeiras
Tenho p'ra mim como lema
Preferir o verão soalheiro.

Liliana Josué

Neste início de Ano Novo,
Com Janeiro a tiritar,
Vamos cantar com o povo,
Boas Festas desejar.

Vamos cantar a alegria,
Que a tristeza já não serve.
Com esperança, energia,
A Fé em Deus se conserve.

Com esperança, cantaremos,
Brindaremos ao Futuro,
E a vida celebremos
Com bolo e vinho maduro.

Celebremos esta vida -
Do Senhor, bênção, ao Mundo -
Numa canção comovida
Em coro de amor profundo.

Cantemos pra desejar,
A todos, Festas Felizes,
Um Bom Ano, a transbordar
De paz, amor e petizes!

Ilona Bastos

Cantar as Janeiras á Desgarrada
Pinhal Dias / Conceição Tomé

Vamos cantar as Janeiras
D’Amora até Ribatua
Que é terra de laranjeiras
Mirando a linha do Tua

Vamos cantar as Janeiras
Pelas ruas empedradas
Vamos comer as alheiras
Ao fumeiro penduradas

Viemos cá, chegamos agora
Rimando com os amigos
Recordados em Amora
A vivência dos antigos

As vozes são como tal
Essa linha nos abraçou
Na viola tocou Pinhal
O povo também cantou

Janeiras do cancioneiro
Nosso povo s’enamora
Cantadas no mundo inteiro
Ali, aqui e agora…

Cantamos lindas canções
Debaixo da neve fria
Alegramos corações
Com um vinho malvasia

Em Cabo Verde não há Janeiras
Bem gostaria de entrar
na onda e como louco cantar
mas com a arte a faltar
só me resta sossegado calar

Em Cabo verde não tem Janeiras
Só se canta mornas e coladeiras
Como sair desta s peneiras
Sem dizer muitas asneiras?

João Furtado

Em Cabo Verde não há Janeiras
mas canta-se bem á amizade
com muitas mornas e coladeiras
pela noite fora, até ser tarde

também se partilha a cachupa
com o bom milho e o feijão
um copinho de aguardente
podes oferecer-nos, João!

Arlete Piedade


Janeiras no Brasil:

Nas Minas Gerais tem palmeiras
Mata verde de um campo bonito
Pedindo a proteção das alegorias
Ambiental da natureza do palmito

Dêem lá umas chouriças e um tinto!
Abatendo uma robusta leitoa assada
Dos comes e bebes que já não minto
Nas algazarras dos Reis das manada

Giovania Rocha

As janeira vou cantar
um passo pra lá, dois pra cá
com Jesus no coração
é a alegria dos irmãos

com o pandeiro na mão
as janeiras vou cantar
sem comer, daqui não saio
arroz doce, vatapá

batata assada na brasa
oro a Deus peço perdão
pois cantar janeiras
é a alegria do sertão

Telma Ellos

Não importa quantos tombos
Cabeças erguidas vamos subindo
Pouco que temos vamos repartir
Com irmãos menos favorecidos

Varenka de fátima Araújo

I

Janeiras, janeiras... Nova esperança, novo alento!
Para todos arrancarei cantos d’alma... Dolentes...
Enquanto o perfume de panelas fumegantes,
Vigiadas pelas merendeiras, vai fazendo morada em meu peito!

II

É preciso apressar o passo, as Janeiras me chamam...
Quero com elas abrandar almas que sofrem secar seu planto,
Quando ecoar o canto do meu canto!
Molhando, de quando em quando, os lábios, num vinho do porto!


III

Chega a hora das Janeiras, de entoar lindas melodias...
E entre um acorde e outro, vou molhar as palavras,
Com uns bons cálices de vinho do porto...
Para que fiquem ainda mais tenras...

IV

Vou cantar as Janeiras, na beira das estradas, sob as janelas abertas,
Ouvindo o chiar das panelas, libertando-se por elas,
Vou alimentar as almas dos meus, com nossas melodias...
Com um olho na viola, e o outro no cozido nas panelas chiadeiras!

V

Janeiras, Janeiras, libertem meu canto,
Dêem asas á minha fé, á minha gratidão,
Á Deus que refaz o tempo do meu tempo na terra,
Avivando a força e a vida em meu coração!

VI

Esperei ano após ano, as Janeiras...
Onde o canto se fazia fé e festa!
Onde se reuniam famílias inteiras,
Diante de fartas mesas, de comunhão e guloseimas...

VII

O tempo das Janeiras em nossas vidas, não pode ser passado...
A música lado a lado com uma fé tão imorredoura,
As pessoas irmanadas, em esperanças e felicidade...
Ás Janeiras canto agora, mesmo sozinho, mais um mouse e um teclado!

Edvaldo Rosa

A todos os poetas e amigos participantes, o meu muito obrigado, e votos de um Feliz e Próspero Ano de 2013!

Arlete Piedade





quarta-feira, janeiro 02, 2013














Amizade

Amizade não se rege pela idade
nem olha á cor de pele diferente
não importa se é longe a cidade
onde mora esse amigo da gente!

Amizade não liga ao continente
ou se tem uma travessia de mar
amigo é um ser-se transparente
uma forma desprendida de amar!

Não importa o tempo decorrido
anos, meses, dias, pois o amigo
acorre lesto, ao nosso chamado...

amigo é o nosso irmão escolhido
outro sangue, mas bem acolhido
na casa onde também é amado...!

Arlete Piedade

segunda-feira, dezembro 31, 2012

FELIZ ANO NOVO 2013


















Feliz Ano Novo 2013

Mais uma volta realizada, á volta do Sol
Que a nossa Terra em breve, completa!
Ano, medida de tempo, mais um no rol
dentro de breves dias, cortará a meta!

Tempo, esse devorador de curtas vidas
medido pelos movimentos dos astros
pensamos que controlamos as medidas
umas voltas da terra e estamos de rastos!

Mas resolvemos mais uma volta festejar
Desde a Austrália estalam foguetes no ar
o fogo de artíficio, espalha-se pelo céu...

Então só me resta, meus votos associar
Um Feliz Novo Ano o 2013, comemorar
Contados desde que Jesus Cristo nasceu!

Arlete Piedade Louro

Dueto de Natal de Arlete Piedade e Sérgio António Meneghetti

Natal em Portugal

Natal da crise e da pobreza, acintosa
Nesta nação, hoje triste e deprimida
onde está agora a nobreza, generosa
no coração humano, tão escondida...

em meio á lei da selva, que é corrente
entre os políticos indiferentes e o povo
assaltam e assassinam a pobre gente
roubam e vandalizam! - Nada de novo!

Se Jesus voltasse cá, como prometeu
marcaria uma reunião de volta ao Céu
para analisar como tudo aconteceu...

ao ver este país belo, tão mal tratado
era verde e azul, agora acastanhado
heróis do mar, onde está o orgulho teu?

Arlete Piedade

Boa Noite Arlete!

Tenho observado muita amargura nas palavras dos poetas.
O poeta tem a obrigação de transmitir a "Arte", e a "Arte" é sinônimo de belo, agradável, felicidade, positivismo, etc.

A dor e as dificuldades são provas para testar e fortalecer o ser humano, os castigos são criações nossas, é o resultado do que plantamos ao longo dos séculos.

Como é mês do Natal, também em Portugal, imagine o Aniversariante a sua frente dizendo estas palavras:

Caminha

Um dia eu li na tábua da minha vida:
Caminha, caminha, caminha

Se tropeçares, levanta-te e caminha.
Se perder o rumo, olhe para o alto e caminha.
Se não tiver esperança, feche os olhos tenha fé e caminha.
Se vierem ao teu encontro para reter teus passos, ore com amor, que vou retê-lo em meus braços e te direi: caminha.

Estou contigo em todos os teus passos, te livro dos embaraços, acolho-te no meu regaço, seco suas lágrimas, mostro teu endereço de redenção e apenas vos peço: caminha.

Tens o dom da palavra, do entendimento.
Tens os braços que modificam o mundo
Tens a mente que plasma o futuro
Tens a vontade e a disposição

Mais uma vez, apenas vos peço: caminha.

É tua estrada bendita
É tua evolução
É a felicidade que vos aguarda
É o caminho da tua perfeição

Não pare no descaso e na ignorância
Olhe para mim, Eu te espero.
Utilize suas pernas da vontade e o teu coração
Não pare, caminha.

Sergio Antonio Meneghetti 09/06/2005

Forte abraço e vamos fazer um mundo melhor.
Sergio - Brasil

Arlete Piedade Muito obrigada carissimo amigo. Tem carradas de razão é claro! Vou escrever algo assim bem positivo e carregado de esperança e boas energias, para partilhar com todos e com vc Sergio Antonio Meneghetti! Grande abraço.

Sergio Antonio Meneghetti Arlete! provoque o publico do site a escreverem o mais positivo e belo que puderem, assim estará gerando uma onda do bem para Portugal e outros. É uma forma de fazer o mundo mais feliz.

Boa noite Arlete!
Perdoe-me se estou invadindo o seu espaço e dizendo o que você deve fazer.
Vou contar um caso:
No dia 24/07/2003 fui ofendido, jogaram a minha dignidade no chão, eram dias difíceis para mim.
No dia seguinte, muito magoado e revoltado, falei pra mim mesmo:
- Vou escrever algo bem duro e colocar as minhas mágoas no papel!
Porem, veio bem forte na minha mente o seguinte, como se alg...uém estivesse falando:
- você não vai escrever nada de ruim, você vai escrever uma coisa boa!
Em seguida nasceu o seguinte poema:

Felicidade

Porta aberta da vida
Conhecimento e razão
Que corta e revida
Contra tristeza e solidão.

É a procura incessante
Que mesmo ilusória ou sofrida
Ela vem por um instante
E também por toda vida.

Felicidade é o momento vivido
É a descrença no inferno
É o amor diluído
É à procura do Eterno.

Sergio Antonio Meneghetti 25/07/2003

O resultado foi calma de espírito, paz no coração, e entendi que este dom da escrita era pra trazer o bem e não a dor (a dor já se faz presente, não necessitamos realçá-la).

A tempestade é dura, mas ela limpa tudo o que é ruim.
Deus nos ilumine nesta Nova Era.
seu Amigo e Amigo de Portugal.
Sergio

Arlete Piedade Sabe meu amigo, o que vc escreveu antes tem andado no meu espírito e agora liguei o computador, para vir publicar este poema que escrevi esta manhã.
Arlete Piedade

Feliz Natal

Vamos todos neste Natal
com coragem e otimismo
levantar nossso Portugal
lá do fundo do abismo!

Com o exemplo de Jesus
vamos todos dar as mãos
enfrentar a nossa Cruz
ajudando nossos irmãos!

Para no Natal passarmos
uma imagem positiva
e não mais, só falarmos
da tristeza que há na vida!

Mesmo que ela nos habite
Vamos desabafar com Deus
e um sorriso no rosto fique
para alegrar os filhos seus!

Esqueçam as tristezas, coloquem um sorriso no rosto e peçam
ao Menino Jesus, muita coragem para caminharmos todos juntos
em frente! Por Portugal e pelo Mundo!

Feliz Natal e Próspero Ano 2013
Arlete Piedade

Nota: Troca de poemas e mensagens no meu Mural do Facebook, aqui transcritos no Blog para ficar mais visivel e inspirar a todos!