domingo, abril 25, 2010

RECORDAÇÕES DO 25 DE ABRIL DE 1974

Estava uma manhã linda de primavera, com aquele leve manto de neblina que dava um ar suave ás árvores e ruas da minha cidade, enquanto me encaminhava a pé para o trabalho, como habitualmente.

No entanto havia algo estranho no ar...uma expectativa, um silêncio, como se tudo esperasse uma mudança inevitável e anunciada desde há muito.

De repente na minha caminhada, algo chamou-me a atenção, um troar longínquo e bem alto de motores de aviões em formação que se deslocavam velozmente.

Á chegada ao trabalho, os colegas sentiam a mesma atmosfera de expectativa e estavam inquietos, indo á varanda envidraçada do primeiro andar do prédio antigo onde estava situado o escritório, e procurando na rua estreita, alguém ou algo que fornecesse respostas.

Em frente havia uma pastelaria, onde habitualmente íamos beber o café da manhã e alguém disse que parece que tinha havido uma revolução, e que as tropas tinham ido para Lisboa.

Na excitação de tal notícia, já pouco trabalhámos durante a manhã, procurando ouvir a rádio para saber notícias ou descendo á rua para falarmos com as pessoas que passavam.

Até que chegou o chefe, e confirmou que era verdade, que estava uma revolução em marcha e que podíamos ir para casa até se saber o que ia acontecer.

Então alegres e entusiasmados, saímos como se fossemos de férias, cada um para as suas residências e ficámos colados aos rádios e aparelhos de TV, vendo os nossos valorosos soldados comandados pelo nosso querido capitão Salgueiro Maia, ir tomando rua após rua, quartéis e ministérios, até á rendição final do chefe do governo.

Das armas enfeitadas com cravos vermelhos, nenhum tiro foi disparado, graças á estratégia desse célebre capitão que saiu durante a madrugada á frente das colunas, da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, minha cidade, em direcção a Lisboa para restituir a liberdade a um povo amordaçado.

Do resto fala a história, apenas quis recordar como vi esse primeiro dia 25 de Abril, aos meus 17 anos de idade.

Arlete Piedade

domingo, março 21, 2010

DIA INTERNACIONAL DA POESIA

















Dia Internacional da Poesia

D iamante lapidado, terna poesia
I rradiante em inspiração e magia
A stros navegando em pura alegria

I nacreditável esta nossa interacção
N otável a veia poética que nos irriga
T ela pintada com vibrante coração
E spargindo cores de seara e espiga
R aros tons de aguarela, óleo e carvão
N evóas de primavera, sol que respiga
A rdentes calores no pino do verão
C anção da ternura que a todos liga
I nflamada em terrenos de emoção
O vação de vates e musas em festa
N esga aberta na noite de escuridão
A mantes unidos em desejo e paixão
L entamente se perdendo pela floresta

D ata em que a primavera se inicia
A fastando os medos da estação fria

P apiro, repouso de antigos segredos
O uro e jóias de tesouros escondidos
E ncantos de ilhas perdidas no mar
S emeadas a esmo, pelos abismos
I nicío e fim de histórias imemoriais
A mantes vibrando desejo em poesia

Arlete Piedade
21/03/2010

terça-feira, março 09, 2010

SANDRA FAYAD APRESENTA LIVRO EM ALMEIRIM





















CONVITE

ARLETE PIEDADE, convida-o a estar presente no almoço seguido de tertúlia poética e musical, que se realizará no próximo dia 28 de Março, a partir das 13H00, em Almeirim, no Restaurante “O Forno”, (junto á Praça de Touros), para dar as boas vindas a Portugal, da escritora, poetisa e ambientalista brasileira, Sandra Fayad, que virá apresentar a sua obra em prol da cultura e do ambiente, com o seguinte programa:
12H30 – Recepção e boas vindas, junto á Praça de Touros de Almeirim.
13H00 – Início do evento com o seguinte programa:
• Almoço com a ementa:
• Entradas: Pão, Manteiga, Azeitonas, Enchidos da Região;
• Sopa da Pedra ou Sopa de Peixe (indicar qual deseja);
• Bacalhau no Forno;
• Sobremesas: Pudim Caseiro ou Salada de Frutas ou Fruta da Época;
• Bebidas: Vinhos da Casa, Águas, Sumos e Café.
15H00 – Apresentação de Sandra Fayad:
• Palestra sobre Bioma do Cerrado Brasileiro;
• Palestra sobre a Horta Comunitária em Brasília;
• Apresentação do Livro “Animais Que Plantam Gente”;
• Sessão de Autógrafos
• Declamação de poemas pelas poetas presentes.
• Actuação do grupo coral “As Henriquinas de Sagres.
• Actuação da fadista e locutora da Rádio Ondas Musicais Maria da Conceição.
• Actuação do director da Rádio Ondas Musicais Gabriel Castanhas.
19H00 – Encerramento.

Preço por pessoa: 15 Euros
Confirmar até 24 de Março para: fadadasletras@gmail.com
e telemóveis: 961013943 e 913042103
Organização: Arlete Piedade, Chefe de Redacção do Jornal Raizonline e Locutora da Rádio Ondas Musicais
Apoios: Jornal Raizonline, Rádio Ondas Musicais, LF.-Gab. Contabilidade, Lda, U.L.L.A.- União Lusófona das Letras e das Artes.

domingo, fevereiro 28, 2010















CONVITE


ARLETE PIEDADE, convida-o a estar presente no almoço seguido de tertúlia poética e musical, que se realizará no próximo dia 28 de Março, a partir das 13H00, em Almeirim, no Restaurante “O Forno”, (junto á Praça de Touros), para dar as boas vindas a Portugal, da escritora, poetisa e ambientalista brasileira, Sandra Fayad, que virá apresentar a sua obra em prol da cultura e do ambiente, com o seguinte programa:

12H30 – Recepção e boas vindas, junto á Praça de Touros de Almeirim.

13H00 – Início do evento com o seguinte programa:
• Almoço com a ementa:
• Entradas: Pão, Manteiga, Azeitonas, Enchidos da Região;
• Sopa da Pedra ou Sopa de Peixe (indicar qual deseja);
• Bacalhau no Forno;
• Sobremesas: Pudim Caseiro ou Salada de Frutas ou Fruta da Época;
• Bebidas: Vinhos da Casa, Águas, Sumos e Café.

15H00 – Apresentação de Sandra Fayad:
• Palestra sobre Bioma do Cerrado Brasileiro;
• Palestra sobre a Horta Comunitária em Brasília;
• Apresentação do Livro “Animais Que Plantam Gente”;
• Sessão de Autógrafos
• Declamação de poemas pelas poetas presentes.
• Actuação do grupo coral “As Henriquinas de Sagres.
. Actuação da fadista e locutora da Rádio Ondas Musicais, Maria da Conceição.
• Actuação do director da Rádio Ondas Musicais Gabriel Castanhas.

19H00 – Encerramento.

Preço por pessoa: 15 Euros

Confirmar até 24 de Março para: fadadasletras@gmail.com ou deixar aqui nos comentários e tamb+em pelos telemóveis: 961013943 e 913042103

Organização: Arlete Piedade, Chefe de Redacção do Jornal Raizonline e Locutora da Rádio Ondas Musicais

Apoios: Jornal Raizonline, Rádio Ondas Musicais, LF.-Gab. Contabilidade, Lda, U.L.L.A.- União Lusófona das Letras e das Artes.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A VIDA

















A Vida

Que define a vida? - O bater do coração?
O arquear do peito? - O silvo da respiração?
O sangue a correr? - No corpo, a circulação?
Os nervos a controlar? - A funcionar a razão?

Ou será o sentimento? - O afecto pelo irmão?
Talvez a ascendencia? - Os pais que dão o pão?
Talvez a descendencia? - O prazer da paixão?
E o reconhecimento? - A importância que nos dão?

Como pode a medicina presumir ter a definição?
Reconhece o que é mensurável - Que é o coração?
Apenas um orgão que se contrai? - Sede da emoção?

Se só conhece as funções do corpo, que está são?
Quando adoece, como aferir a medida da disfunção?
Qual será então a disciplina que pode fazer a união?
das dores do corpo físico com o sofrer da emoção?

Arlete Piedade

quinta-feira, dezembro 24, 2009

A Partida (Adeus a Roberto Oliveira)

















A Partida

Partiste...finalmente! E neste adeus
Minha alma em soluços liquefeitos
Foste ao encontro dos anjos e Deus
Agora és o maior entre os perfeitos!

Viveste uma vida de dever por amor
Sacrificios fizeste por teus queridos
Teus amigos irmanados estão na dor
Saudosos, com corações doloridos!

Poeta alguém já disse que morreste
Mas nem te conhecia, como entender
O resplendor de tua alma brilhante?

Para todos que amparaste, faleceste
ficam á espera do momento de te ver
no lar etéreo, irmão, amigo, amante...

Arlete Piedade

quarta-feira, outubro 21, 2009

Conto "Os homens também choram!"


Eram apenas sete horas da manhã, naquele dia do início de Março, mas o calor já se adivinhava insuportável. O carro estava parado na fila do meio na auto-estrada , como em todas as manhãs dos últimos cinco anos e Manuel tentava conter a ansiedade como sempre em todos os outros dias em que se dirigia para o trabalho.
Ligou o rádio num gesto entre impaciente e resignado. Já sabia o que ia ouvir:
- Senhores ouvintes, a temperatura prevista para hoje em Lisboa, situa-se entre os 35º graus de máxima e 25º de mínima. Alerta laranja activado em dez distritos do continente. Alerta vermelho na zona da grande Lisboa e grande Porto. Não se esqueçam de levar consigo as garrafas de água para manter a hidratação! Não expor a pele directamente ao sol! Crianças e velhos devem manter-se em casa! – E prosseguia o locutor:
- Trânsito congestionado nas principais vias de acesso á capita! Também no grande Porto e na Via de Circunvalação trânsito com demora acentuada! – mas Manuel já nem ouvia o locutor, era sempre assim todas as manhãs. Tocou no comando instalado no volante, para procurar uma outra estação de rádio, que lhe desse música relaxante e calma!
Mas só encontrava os sucessos barulhentos do momento....Irritado desligou o rádio. Olhou pela janela e reparou na ocupante do carro ao lado. Ela sorriu-lhe e ele retribuiu o sorriso fazendo um gesto de resignação que pretendia abarcar as filas e o trânsito e o mundo em geral.
Ela retribui com um encolher de ombros e ele não pode deixar de reparar naqueles ombros morenos, que estavam desnudados pelo vestido. Não conseguia ver bem, mas aparentemente ela usava um vestido ou blusa sem ombros, apenas cingido no busto por aquelas filas de franzidos que estava na moda.
Os seios pareciam ser grandes e os olhos escondidos atrás dos enormes óculos escuros, apenas se podiam adivinhar. Como seriam os olhos dela?
Os cabelos eram curtos e louros, com uma franjinha caída para a testa ampla. O trânsito na fila ao lado avançou e a mulher arrancou devagar. O carro dele não saíu do mesmo local entretanto, mas Manuel não se irritou. Sabia que dentro em pouco se voltariam a cruzar mais á frente noutra fila.
Agora era a sua vez de arrancar. Seguiu em frente devagar, quase automáticamente, e voltou a ligar o rádio. Agora passava uma música antiga de Elton John. Ficou a ouvir e a recordação da esposa voltou com maior força agora. Era sempre assim. Em qualquer circunstancia do dia a dia, inesperadamente, lá voltava o fantasma do passado para o atormentar.
De repente viu-a á sua frente, como naquele dia em que ela lhe tinha pedido o divórcio. Escutou as suas palavras agressivas de novo:
- Vai-te embora de vez! Deixa-me em paz! Nunca me amaste! Vai para as tuas amantes! Para que me hei-de esforçar para te dar esse filho? – Para ficar no mundo mais uma criança sem pai?
Ela não o compreendia, nunca tinha compreendido a sua necessidade de ter um filho para dar continuidade ao seu nome, para lhe fazer companhia e brincar com ele. Como sonhava com esse filho! Imaginava que iriam passear ao parque, que dariam grandes caminhadas, que iriam jogar á bola, imaginava que ensinaria ao filho tudo que tinha guardado dentro de si, fruto de longas horas silenciosas de reflexões, as descobertas sobre o coração humano, as tentativas inglórias de compreender aquela mulher que era sua desde a infância comum passada na aldeia!
Ela sempre tinha sido sua, continuava a ser sua, mas como lhe fazer entender isso? – Agora era tarde, pensou pela milésima vez. O divórcio tinha sido decretado na semana anterior , era um facto irregovável que no entanto não sabia se iria aceitar alguma vez.
A fila estava de novo parada. Meteu a mão no saco a seu lado e pegou na caixa de chocolates. Comeu um quadrado sem pensar! O doce derreteu-se-lhe na boca! Seguiu-se outro e outro mecânicamente! Sempre tinha gostado de comer, por isso estava um bocado acima do peso.
Ela sempre o aborrecia por isso. Agora pelo menos já não a iria ouvir a chateá-lo. Aproximavam-se das portagens e o carro da frente travou bruscamente devido a outro ter mudado de fila inesperadamente. Sem ter tempo de reagir e fragilizado pelas suas recordações de um casamento fracassado, Manuel embateu violentamente no carro que fez peão e ao bater no separador capotou aparatosamente.
O seu carro tinha-se imobilizado com uma violenta travagem e Manuel saiu em socorro do outro condutor. Não tinha reparado que era o carro da mulher loura. Ela estava presa no cinto de segurança e sangrava da cabeça. Antes de mais nada ele telefonou para o serviço de emergência médica e enquanto esperava a chegada da ambulância, deitou-se no alcatrão a seu lado, acariciando-lhe os cabelos que rapidamente estavam a ficar empapados de sangue.
Ela naquele momento representava todas as mulheres, as que tinham passado fugazmente pela sua vida, as primeiras namoradas, as amantes, a esposa! Em especial a esposa!
Murmurou, sentindo o rosto molhado:
- Perdoa-me, perdoa-me! Não morras, não te vás! Deixa-me conhecer-te melhor! Não me abandones!
Ouviu os silvos da ambulância que chegava, e afastou-se para dar a vez aos paramédicos! Entrou no seu carro mas ao ligar a ignição nada se ouviu! A porcaria do carro tinha ficado mais afectado do que ele suspeitava.
Agora era a brigada de trânsito da GNR que o chamava para fazer o Auto de Ocorrência. Respondeu mecânicamente ás perguntas, assinou onde lhe pediram, e recusou a ajuda que lhe ofereciam sem pensar. Ficou junto ao carro imobilizado e pegando no seu telemóvel chamou um pronto-socorro, para o levar para a oficina.
Quando este chegou, deu as indicações necessárias, e recusou ajuda mais uma vez. Lentamente e sem olhar os carros que se desviavam dele para não o atropelarem, dirigiu-se á berma da Auto-Estrada. Passou as pernas pelo separador, e deixou-se cair no talude cheio de ervas que ainda deviam estar verdes, mas já estavam a secar naquele início de Primavera, que se comportava como o fim do Verão. Afastou-se perdendo-se entre os matagais! Para ele não havia estações do ano. Tinha deixado de haver Primavera, ou Verão! Seria sempre Inverno doravante!